terça-feira, 31 de maio de 2011

O último dogma, que não é dogma, é uma parábola: O Caminho da Mata

Pois bem, amiguinhos da internet, chegou o dia. Dia em que nosso mui querido Guruh Gandhi Melda, propagador e difusor dos ensinamentos do Buddha Moule se despede e se retira. Nosso Guruh deve agora partir em peregrinação pelo Nepal Duroh, lugar santo, onde o Buddha Moule sentou e chorou.
Mas antes de partir, gostaríamos de compartilhar nossa última experiência, nosso último dogma. Que é, antes, uma parábola: O Caminho da Mata.
Aconteceu assim:
Tão logo instalaram banda larga em nosso humilde mosteiro em Las Vegas, vi-me cercado de dúvidas e inquietações. Porque a partir daquele instante pude observar que nossos tempos são marcados pelo culto extremo da personalidade. Ao tomar contato com a internet percebi que a humanidade mediatizava a individualidade, reificava-a, transformando-a em reles produto. Ou seja, as pessoas se auto-alienavam! Sim, as meninas colocavam avatares de gostosinha no Orkut, os homens de marombados. E todos postavam coisas inverossímeis sobre si mesmo.
Tudo mentira!!! Quando depois surgiu o Facebook, a coisa piorou. Porque no fb essas pessoas começaram a criar páginas de negócios sobre as próprias identidades fantasmagóricas. Mais mentiras!!!!!
Fui então tomado por um sentimento de extremo vazio. Uma solidão imensa se apoderou de mim, e cai em tremenda depressão.
E foi então que nosso mui gentil Guruh me socorreu. Porque quem é que poderia me devolver a alegria e a razão do viver, senão o Guruh? Quem é que poderia me orientar, demover minha tristeza, senão ele, nosso santo homem, o Guruh Gandhi Melda?????
Sim, fui até o Guruh, entrei em seu umbral. Lá estava ele, o rosto vermelho e risonho de quem havia mamado duas garrafas de Pitú com limão. Ao seu lado, duas piriguetes do Bonde da Ju jaziam lânguidas.
“Guruh, por favor, ajude-me!!!” - implorei.
“Sshshnmnzxzrss.... Prssrtryudsm...” - ele me respondeu, não sei se em sânscrito ou manguacês (língua sagrada do Nepal Duroh), mas anotei no meu bloquinho.
Discorri, então, sobre meus problemas, enquanto ele me olhava com seus olhos turvos e embaçados, a cinza caindo do cigarro também caído no canto da boca.
Então, após explanar todas as minhas descrenças e dúvidas, o santo homem, nosso mui querido Guruh Gandhi Melda, fez-me um sinal para que me aproximasse.
E de sua boca sagrada, que era álcool puro, saíram essas palavras:
“Maaatttaaahh!!!!” E caiu prostrado em cima das piriguetes.
Sai de lá perplexo. O que o Guruh queria me dizer com aquilo???
Nessa noite tive um sonho muito agitado e acordei de madrugada, suado. Abri a janela e então, olhando um pouco mais à frente, compreendi subitamente as palavras do Guruh!!!
A mata!!!!! Sim, logo na entrada de nosso humilde templo havia um mato, uma moita, um pé inofensivo de cannabis terapêutico, que nosso Guruh gostava muito, e que de vez quando colhia uns camarões para seu reumatismo.
Semi-nú sai para fora, na noite fresca. Um vento suave percorria meu corpo.
Fui até a moita. Lá chegando ouvi um barulho estranho e, quando me virei, surgiu do nada um ser misterioso, trajando um manto escuro que cobria seu rosto.
Assustado, disse: “Quem és tu, misterioso visitante?”
“Shjkkweiusssaiuursrs....” Foi a resposta. Oh! Era o Guruh! Sim, ele próprio. Seu manguacês impecável era inconfundível!
“Oh! Guruh! Trouxeste-me para fora, e aqui me encontro, semi-nú, nesta moita mocosada. Agora percebo suas palavras! É este o momento de minha Revelação!” - disse eu.
“Rtysiudyuiius....” - foi sua resposta mágica.
Naquele momento então, percebi que o Guruh era a própria encarnação do Buddha Moule. Era o Buddha Moule que se manifestava através do Guruh.
Tomado por sentimento de profunda veneração, curvei-me na posição sagrada que nos ensinavam os Vedas do Buddha Moule (basicamente ficar de quatro, com o rabo virado para a lua) e aguardei ansiosamente pela Revelação.
Então algo incrível aconteceu! Senti ser arriada minha sunga sumária (vestimenta básica e obrigatória de nosso humilde templo de Las Vegas), seguida de tremenda dor no cu propriamente dito. Palavras são incapazes de descrever o ardor, a queimação, que invadia as minhas entranhas naquele instante miraculoso e revelador!!!
Comecei a ouvir uma música estranha, que não saberia dizer se vinha de dentro de mim, ou era o Buddha encarnado no Guruh que cantarolava. A canção assim dizia:
“Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa
Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois”
Olhei para trás e a última coisa que vi foi o Buddha, que se transformara então, magicamente, no nosso jardineiro!!!! Sim, agora tudo estava claro! Todos nós somos um só!!
Após o que desmaiei. Acordei no outro dia. Estava nu, sob a moita. O sol brilhava glorioso.
Peguei minha tanga sumária, que estava jogada ao meu lado. E, com muita dificuldade, pois meu lombo doía sobremaneira, voltei ao nosso humilde templo.
Chegando ao templo, dirigi-me ao Salão Sagrado, onde comumente o Guruh fazia seu desjejum (geralmente pinga com Cynar, acompanhada de pão na chapa).
Ao vê-lo, seu rosto vermelho e risonho de quem já havia mamado algumas, a cinza caindo do cigarro também caído no canto da boca, disse-lhe:
“Mestre, ontem vos me mostrastes o verdadeiro caminho. O Caminho da Mata.”
“Swertahjkki.... Maattaaahhhh?????” - perguntou-me o Mestre.
“Sim, respondi. Ontem vos me dissestes: Maattaaahhhh!!”
Nosso mui esclarecido Guruh ficou olhando o espaço, os olhos embaçados e turvos, então iluminou-se, como se de repente tivesse se lembrado de algo e soltou um brado, que ecoou por todo o Salão Sagrado:
“Maattaaahhhh o fioohh daa puuttaa qui peggouhh mmeuu bbaaagulhooo!!!... Shjjuyydsg....” E caiu em seu torpor matinal sagrado de costume, em cima das piriguetes ao seu lado.
Retomei então, meus humildes afazeres no templo, que eram muitos: fazer a faxina nos banheiros, recolher os cinzeiros, camisinhas, absorventes, garrafas, guimbas, grinfas, calcinhas, chicotes, algemas, enfim todo o tipo de objetos que ficavam espalhados por nosso humilde mosteiro durante a noite. Depois preparar o almoço, lavar a louça e, à tarde, fazer a contabilidade de nosso humilde templo de Las Vegas -que continuávamos a ter problemas com o fisco e a polícia, que insistia e insiste em não ver e reconhecer os valores espirituais do nosso mui amado e severo protetor, o grande Guruh Gandhi Melda, propagador e difusor dos ensinamentos do Buddha Moule.

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